O primeiro passo para dar início à Saga, é o reconhecimento da profissão no organismo australiano que a tutela. Ao General Skill Migration Program só podem concorrer pessoas, cujas profissões se encontrem na Skilled Occupation List (que mudará brevemente...) e que façam a devida certificação no órgão competente. Ora como todos (ou quase todos) sabem, faço parte daquela raça de profissionais marginalizados pela sociedade que lhe confere apenas a capacidade de rabiscar uns esquissos manhosos, fazer casinhas sem telhados, janelas e chaminés (lolol… brincadeirinha… apesar de tudo, posso dizer que adoro a minha profissão… que tal como todas, tem os seus altos e baixos, projectos mais ou menos estimulantes… and so on and so on…). Serve tudo isto para dizer que sou uma orgulhosa “Arquitonta”!
No meu caso particular tive que preparar a papelada para dar entrada ao processo de reconhecimento na AACA. Este organismo é responsável pela acreditação dos profissionais de arquitectura, tanto australianos como overseas. O reconhecimento é feito única e simplesmente com base no currículo académico que possuímos, significando portanto, que – nesta fase – de nada serve a experiência profissional, seja ela de 2, 5, 10 ou 20 anos. No fundo, a AACA verifica se os conteúdos programáticos, carga curricular e anos de formação, são ou não equivalentes a um curso de arquitectura leccionado na Austrália (segundo os mais exigentes padrões de qualidade… pelo menos é isso que alegam :))
O processo é de facto muito lento e burocrático (já disse que tudo na Austrália vive mergulhado em burocracia?). Dei entrada aos primeiros documentos em Outubro de 2009, enviei nova papelada (um extenso documento com a descrição de todos os conteúdos programáticos) em Fevereiro de 2010 e no final de Março, recebo a tão esperada resposta (de que já falei num outro post)… SUITABLE!!!
Como não será (certamente) difícil de imaginar, todo este processo envolveu largos custos! Pois é meus amigos... tal como já referi: mealheiro bem gordinho! Para além das taxas pagas à AACA, as traduções foram responsáveis pela minha ruína financeira (lolol… um pouquinho de exagero não fica mal a ninguém)! Mas agora muito a sério… TRADUÇÃO É UM SERVIÇO EXTREMAMENTE CARO! Assim sendo, quando alguma alminha iluminada me disser… “ o meu filho… ah! O meu filho vai ser futebolista!” eu de imediato contraponho … “o quê?? O meu vai ser tradutor!” (neste momento, e se algum tradutor lê este humilde espaço, sei que terei, com toda a certeza, a minha cabeça a prémio!... O eterno dilema... quem paga acha caro... quem recebe acha pouco... :))
