Este post corre o risco de sair uma coisa meia atabalhoada, tanta é a informação que gostaria de passar. Pois bem, para evitar que isso aconteça vou tentar passar a mensagem por tópicos.
Comecei a trabalhar há 3 semanas. É pouco tempo para poder tipificar ou tirar ilações profundas sobre alguma coisa mas por outro lado já vai sendo suficiente para perceber tantas outras.
Arquitectos(as) tomem lá disto :)
- Os ingleses são realmente muito simpáticos e educados. A vida parecer sempre correr-lhes de feição. Tem sempre um sorriso disponível e uma maneira super cute de dizer as coisas. No meu trabalho não é excepção. São todos muito prestáveis e disponíveis;
- A língua é mesmo o mais difícil. Chego ao fim do dia cansada pelo esforço adicional que faço para os entender. Ainda por cima a maior parte dos meus colegas são de Nottingham… ou seja… hard mas mesmo really hard accent. Quando falo pessoalmente com uma ou duas pessoa… perfect! Entender conversas e piadas entre eles é tarefa para os mais duros. Há dias em que penso: “Dassss!! WTF? É que não entendo um cu!”;
- Sou a única estrangeira numa equipa de cerca de 50 pessoas!!! No dia em que percebi tal facto pensei: “Estou fuc#$()%#ed!” Significa portanto, que todos os meus colegas têm inglês à nascença e por isso… eu sou a única monga que se enrola e contorce para se conseguir expressar… what a shame!! (epa… não vou negar… quem me dera ter um oriental qualquer que falasse pior que eu… sim é feio pensar assim mas eu sou humana! E perceber que sou a única com bad english é um ganda pincel!);
- Nunca vi nem sequer senti cheirinho a stress! Pois… muito estranho! Das duas uma: ou disfarçam muito bem, ou simplesmente não trabalham sobre pressão. Esta parte, confesso, que ainda não consegui aferir. Mas é engraçado ver o comportamento de todos eles. Muita calma… relax… ir à copa buscar café às 9h… voltar à copa para trazer chá às 10h… ir novamente à copa encher a caneca por volta das 11h… e por aí… Lolol! Acho estranho mas ao mesmo tempo engraçado. Em Portugal tinha um ritmo bem diferente e os níveis de stress eram incomparáveis. De qualquer forma, desenganem-se os que acham que não se trabalha… eu pelo menos tenho dado o litro nos últimos dias… Afinal, tenho de estar à altura do desafio! ;)
- Software: Autocad! Pois é, apesar de estarem a tentar implementar o Revit, continuam seguidores do Autocad. Por mim tudo bem, até porque o curso de Revit já foi ao ar há muito tempo… Mas já “apertaram” comigo para começar a trabalhar em Revit… ai God… vamos ver o que me espera!
- Por falar em softwares, hardwares e tupperwares :) Aqui não tenho de me preocupar se ficar sem rede, Outlook ou se der um nó no autocad! Aiiiii que feliz que estou! Em Portugal tinha de perceber de endereços de IP, gateways, servidores DNS… cada vez que estoirava alguma coisa, começava a suar pois já sabia que mesmo não percebendo nada do assunto tinha de arranjar forma de solucionar o problema. Aqui temos um CAD Manager e um operador de IT! Sempre que os PC`s dão um nó… é só chamar os “bombeiros”… ai que descanso :)
- O CAD Manager gere o funcionamento e utilização do Autocad e garante que tudo está uniformizado. Utilizamos um International CAD Standard que entretanto já foi tendo um improves. Assim, temos regras para tudo! Layers, plot styles, files, sheets, texts, blocks, annotation scales, etc, etc, etc… Sei que em Portugal, alguns gabinetes, já utilizam este método de trabalho mas eu nunca tinha trabalhado desta forma. Confesso que estou a apanhar uns quantos bonés e segundo os meus colegas (numa perspectiva extremamente animadora) ao fim de 2 anos sou capaz de estar dentro do assunto :(
- Uma das maiores diferenças que encontrei mal aqui cheguei, mesmo a partir do momento em que comecei a procurar trabalho, foi a “sectorização” da profissão. Passo a explicar: existem architectural assistant, architectural technician, design architect e project architect… enfim, uma panóplia de arquitectos com funções muito especificas e bem definidas. É de facto um grande choque pois em Portugal um arquitecto é arquitecto e ponto final. Concebe a ideia inicial? Sim! Desenha? Sim! Arranha soluções construtivas? Sim! Trabalha na obra? Sim! Quando penso nisto só me vem à ideia “ainda bem que vim dum ambiente do faz e desenrasca tudo” para um ritmo do “tu aqui só fazes isto!” Se fosse ao contrário acho que teria sérias dificuldades. Queixamo-nos muitas vezes do nosso país… que não somos bons nisto… somos desorganizados naquilo e uma das principais razões é mesmo esta falta de especialização, afinal temos de saber fazer tudo, resolver tudo e ainda apresentar tudo ao cliente a tempo e horas… ninguém é perfeito! No entanto, digo orgulhosamente, que os 6 anos que trabalhei em Portugal, foram uma óptima preparação para este desafio que agora enfrento!
No entanto, esta divisão de tarefas, ainda me põe em situações meio desconfortáveis. Esta semana por exemplo, ia por ali a fora a desenhar como se não houvesse amanhã, quando alguém me manda parar pois quem desenha layouts de casas de banho, cozinhas, escritórios e salas de aula (estou a fazer uma escola) são os interior architects! Uiii… lá ia eu estragar uns quantos postos de trabalho… lol!
- Aqui é usual ouvir a pergunta: “mas é arquitecto de quê?” WTF?! Lol! É habitual haver uma “especialização”. Há arquitectos com experiência em edifícios de educação, outros em residential, healthcare projects, retail… e por aí. Como tinha algumas escolas na bagagem, estou na equipa dos education projects! Yuuuupiiii! Até nisso tive sorte ;)
- O sistema construtivo é COMPLETAMENTE diferente do português! É raro ver betão in situ. Não há cofragem no terreno! É tudo pré-fabricado e transportado para obra prontinho a montar. Usam e abusam do steel frame (estrutura metálica)! Em Portugal os construtores tinham um ataque de nervos quando se falava em estrutura metálica… já aqui não querem outra coisa! A construção interior é extremamente leve se comparada com as nossas paredes de tijolo. Divisórias de 12cm de espessura e está feita a festa! Suporte metálico, interior em lã de rocha ou poliestireno (ainda não me certifiquei) e duas placas de acabamento de um e outro lado… está feito! Escusado será dizer que ganham uns bons metros quadrados de área útil.
- Felizmente não trabalham em inches mas desenham e referem-se a tudo em milímetros… Resultado: para quem está habituada a trabalhar em metros, o offset tornou-se uma operação dupla… primeiro com vírgula e só depois me lembro de a tirar! (epa… este post está mesmo a ficar aborrecido.. lol)
Uiii.. por agora não me lembro de mais! Mas prometo ir actualizando informações (perdoem-me os não arquitectos pela seca que vos dou. De qualquer forma tenho a certeza que só mesmo os arquitectos vão ler este post até ao fim! Lol)
Para finalizar… estou a adorar a experiência! Está a ser muito gratificante e principalmente muito estimulante… Encontrei o que procurava! Coisas novas não faltam por aqui! :)

